quarta-feira, 15 de julho de 2009

Festas da gripe suína pelo mundo propagam o vírus para fabricar anticorpos

Le Monde
Paul Benkimoun

Será que não é melhor pegar desde já a gripe A (H1N1), enquanto ela ainda não é muito virulenta, do que esperar pela segunda onda do próximo outono, que pode ser mais grave?

Algumas pessoas que estão organizando "swine flu parties" [festas da gripe suína] nos EUA ou "grippe parties" no Reino Unido, já decidiram: essas reuniões têm por objetivo fazer com que as pessoas contraiam deliberadamente o vírus A (H1N1) para fabricar anticorpos e assim serem imunizadas antecipadamente. Uma vacinação natural, de certa forma, mas que os especialistas consideram como uma ideia não tão boa quanto pode parecer.

"Assim que ficamos sabendo, pelos dados epidemiológicos e pelas observações nos serviços hospitalares, que estávamos diante de uma forma de gripe benigna, esta questão veio à tona", explica o professor François Bricaire, que dirige no La Pitié-Salpêtrière (Paris) um dos serviços de referência para as epidemias infecciosas.

"Sabendo que poderíamos ter de enfrentar uma segunda onda mais grave no outono, não é totalmente ilógico pensar: 'Vamos deixar rolar, pois se muitas pessoas possuírem os anticorpos, isso simplificará a futura vacinação'".
Uma transmissão rápida

O vírus da gripe A (H1N1) não é muito virulento, mas se propaga rapidamente. Ele pode ser disseminado pelo ar por meio de uma tosse, um espirro, perdigotos. Ele também é transmissível por um contato mais próximo (aperto de mãos, beijo) com uma pessoa doente, ou encostando em objetos (maçaneta de porta, etc.) contaminados. Os sintomas se parecem com aqueles da gripe comum: febre, tosse, fadiga, dores no corpo.


O diretor da Escola de Estudos Superiores em Saúde Pública e epidemiologista, o professor Antoine Flahault também reconhece que "aqueles que pegarem logo a gripe A (H1N1) terão mais vantagens: de certa forma, eles terão sido vacinados antes dos outros. Ainda por cima, se eles tiverem uma gripe com complicações - o que não é o caso mais frequente na França - , talvez seja melhor que isso aconteça enquanto os hospitais não estiverem lotados".

O princípio da imunização natural por contato com uma pessoa portadora de um vírus surgiu nos países anglo-saxões em torno da varicela ou catapora ("chickenpox"). As "chickenpox parties" se expandiram até os anos 1990, enquanto não havia vacina para a doença: eram organizados lanches da tarde, reunindo as crianças em torno do paciente portador das pústulas que sinalizavam a infecção pelo vírus da família da herpes.

A ideia persistiu especialmente entre as famílias que eram contra as vacinas, ou entre aqueles que acreditavam que a imunidade natural era mais forte do que aquela provida por um produto concebido em laboratório. Ela continua a ser propagada por sites na internet, inclusive para a gripe. Seus defensores promovem um livro em especial, "The Great Influenza", de John M. Barry, publicado em 2004, que relata que as pessoas que contraíram a gripe espanhola em 1918, durante uma primeira onda relativamente moderada na primavera, haviam sido protegidas por dois episódios muito mais graves que ocorreram no decorrer do inverno.

O diretor dos Centros de Controle e de Prevenção das Doenças (CDC, sigla em inglês), Richard Besser afirma, a respeito das "swine flu parties", que "seria um erro grosseiro fazer com que indivíduos e crianças corram riscos. Trata-se de uma doença nova, emergente, e ainda estamos aprendendo sobre ela todos os dias".

Indo na mesma direção, o professor Flahaul acredita que "ainda não sabemos muito a respeito da virulência do vírus A (H1N1). Na França, por exemplo, os dados dos certificados de mortalidade só dão conta parcialmente do número de mortos provocados pela gripe, seja ela a gripe comum ou a causada pelo novo vírus". Na maioria das vezes, somente as complicações infecciosas da gripe (pneumonia, bronquite...) aparecem no documento.

Apanhar deliberadamente a gripe não é inofensivo. Ainda que os especialistas concordem em dizer que os números oficiais de casos confirmados e de mortes estão longe da realidade, os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 4,5 casos em 1000 foram letais. "Se pegar a gripe a qualquer custo fosse remédio, aceitariam que este induzisse à morte nesse ritmo?", pergunta o Dr. Jean-Marie Cohen, coordenador nacional da rede de Grupos Regionais de Observação da Gripe (GROG).

E para além do possível benefício individual que uma pessoa poderia obter de uma contaminação precoce pelo vírus, é preciso também refletir em termos éticos: uma pessoa infectada pode transmitir o vírus ao seu redor e desencadear, entre os mais frágeis, uma doença potencialmente fatal. "Contrair deliberadamente o vírus A (H1N1)? Sinceramente, não faria isso nem por mim, nem por minha família", diz o Dr. Cohen. "Em compensação, não é um grande drama contraí-lo. Não há por que entrar em pânico, mudar seus hábitos ou seus planos, especialmente as férias". Uma atitude confirmada pelo professor Bricaire: "Minha filha me perguntou se deveria cancelar uma viagem prevista para a Argentina. Após consultar meus colegas pesquisadores, eu lhe disse para não cancelar".
UOL Celular

sábado, 11 de julho de 2009

Quadro da menina que morreu de gripe suína em SP foi atípico, diz secretário

da Folha de S.Paulo
da Agência Folha
da Agência Folha, em Belo Horizonte

O Estado de São Paulo confirmou ontem a primeira morte em consequência da gripe suína --a segunda no Brasil. A vítima é uma menina de 11 anos de Osasco (Grande São Paulo), que morreu no dia 30 de junho. Outros dois pacientes com o vírus H1N1 estão internados em UTI no Estado.

O quadro apresentado pela menina de 11 anos que morreu após contrair gripe suína foi atípico para um paciente com a doença, segundo o secretário da Saúde do Estado, Luiz Roberto Barradas Barata.

"Ela tinha contraído um pneumococo e morreu de septicemia. Acreditamos que a gripe deve ter reduzido a imunidade dela", afirmou ele.

No outro caso de morte relacionada à gripe suína, o de um caminhoneiro de 29 anos que havia viajado à Argentina e morreu em Passo Fundo (RS), os médicos apontaram que ele teve outras complicações.

De acordo com Celso Granato, infectologista da Unifesp, em mortes de pacientes com gripe, é comum acontecer associação com outras doenças.

"O próprio vírus da gripe pode causar lesões ou então criar condições para que bactérias se desenvolvam, levando, por exemplo, a uma pneumonia."

Segundo o médico, ter outras doenças pode facilitar complicações num quadro de gripe. No caso da menina, a secretaria suspeita que uma hantavirose que ela teve aos dois anos pode ter contribuído para prejudicar o sistema imunológico.

Apesar das diferenças em relação aos casos mais típicos da gripe, o secretário diz que isso não é motivo para alterar os protocolos de atendimento e identificação da doença, que são feitos com base em experiências internacionais e por orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que a gripe suína tem o mesmo grau de letalidade da gripe tradicional, de 0,45%. Segundo o ministério, no Brasil esse percentual é ainda menor (0,19%).

Casos graves

O Brasil tem ao menos três casos de pessoas com gripe suína internadas em estado grave: duas do Rio Grande do Sul e uma de Minas Gerais.

Questionado ontem pela Folha sobre a existência de casos graves no Estado de São Paulo, o secretário Barradas Barata afirmou apenas que há dois pacientes com a doença internados em UTIs.

Um dos pacientes graves do Rio Grande do Sul é uma estudante de 14 anos de São Gabriel, internada há três semanas. O infectologista Alexandre Schwarzbold disse que ela já se recuperou da pneumonia adquirida em decorrência da gripe, mas ainda sofre com lesões pulmonares e musculares.

Também no Rio Grande do Sul, um caminhoneiro de Itaqui está internado em estado grave. O Estado ainda investiga se a morte de um caminhoneiro em São Borja tem relação com a doença.

Em Minas Gerais, um homem de 27 anos internado desde o último dia 29 em Belo Horizonte apresenta "quadro respiratório gravíssimo", segundo o Hospital das Clínicas.

Colaborou a Sucursal de Brasília

terça-feira, 30 de junho de 2009

OMS diz que caso de gripe suína resistente à antiviral é "isolado"

colaboração para a Folha Online

O primeiro caso de gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1)-- resistente ao antiviral Tamiflu representa um caso isolado sem implicações na saúde pública, informou nesta terça-feira a OMS (Organização Mundial da Saúde).

No último dia 12, a organização anunciou que a gripe suína atingiu o nível de pandemia (epidemia generalizada). O termo tem relação apenas com a ampla distribuição geográfica do vírus.

O porta-voz da organização, Dick Thompson, disse que a descoberta de um paciente na Dinamarca cuja infecção não respondeu ao medicamento não aumenta a periculosidade do vírus.

"Esse é um caso isolado. Até agora, não há implicações na saúde pública. Mas devemos continuar alertas porque o vírus pode mudar a qualquer momento e não podemos ser complacentes", afirmou.

Ao anunciar o caso de resistência ao Tamiflu, o governo da Dinamarca afirmou que o paciente estava sendo tratado com outro antiviral, o Relenza.

"A pessoa já está bem e nenhum contágio posterior foi registrado", informou o Instituto Nacional de Sorologia da Dinamarca, em comunicado.

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

Com Reuters

Leia mai

sábado, 23 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

MS sai na frente: Projetode Lei do deputado Márcio Fernandes (PSDB) proíbe profissionais de saúde de sair com jaleco

Quinta, 21 de Maio de 2009 - 08:40 hs
Tramita na Assembléia Legislativa projeto de Lei do deputado Márcio Fernandes (PSDB) que proíbe profissionais de saúde de saírem de seus ambientes de trabalho usando aventais ou jalecos.

A intenção, conforme parágrafo do projeto, é evitar contaminação das peças por bactérias e germes.

Caso seja aprovada e sancionada, a Lei atingirá médicos, enfermeiros, instrumentistas, auxiliares de enfermagem, radiologistas e laboratoristas.

Fonte: Com informações CG News


Comentário de do autor do Blog:

Como médico sanitarista, ex-professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense e ex-Diretor do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária do Estado de Rio de Janeiro, envio meu aplauso ao jovem deputado sul mato-grossense do sul, recentemente agraciado com o título cidadão anastaciano.

Esta iniciativa deve ser imitada por outros estados e mesmo por parlamentares federais, já que a Anvisa, ou outro órgão do Ministério da Saúde, ainda não tomou providências nesse sentido.

Não tenho dúvidas de que culturas de material coletado através de esfregaços dos uniformes e sapatos de profissionais que os usam fora dos ambientes hospitalares, revelariam a presença de microorganismos patogênicos, inclusive os envolvidos com as temidas infecções hospitalares, por isto, sugerimos a realização de pesquisas nesse sentido, ainda que para constatar o óbvio e, mesmo, para refutar possíveis críticos desta oportuna medida.

Ao reverso, tais vestimentas são capazes de veicular material potencialmente infeccioso, coletado no exterior e passível de ser disseminado nas unidades de saúde, comprometendo a segurança dos seus usuários.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

OMS contabiliza mais de 10 mil casos de gripe suína pelo mundo; Brasil quer acesso ao vírus

Do UOL Notícias*
Em São Paulo


Um total de 10.243 pessoas foram contaminadas pela gripe suína em 40 países e 80 morreram em consequencia da doença, informou nesta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil pressiona a OMS para ter acesso ao vírus da doença.

"A maioria dos novos casos (413 desde terça-feira) foram registrados nos Estados Unidos e Japão", disse a porta-voz da OMS, Fadéla Chaib.

O Japão, que pode se converter no segundo foco autônomo da doença depois da América do Norte, já conta com 210 casos formalmente diagnosticados. Um total de 51 novos doentes foram contabilizados nas últimas 24 horas, segundo a OMS.

As autoridades japonesas já contam 232 casos no arquipélago.

O vírus A (H1N1) também contaminou 346 novos pacientes nos Estados Unidos, onde 5.469 casos já foram diagnosticados. Seis pessoas morreram no país por causa da gripe suína.

Nível de alerta
Os especialistas da OMS estão atentos à situação no Japão, onde a aparição de um foco de contaminação autônomo poderia justificar a declaração de pandemia mundial e o aumento do nível de alerta ao máximo (6).

Entretanto, diversos países, entre eles o Japão, pediram à diretora da OMS, Margaret Chan, que reflita com cuidado antes de declarar o estado de pandemia.

Chan assegurou levar em contar estas opiniões e manteve o nível de alerta 5, enfatizando que a pandemia é "iminente".

A escala de alerta pandêmico foi elaborada "pensando no vírus da gripe aviária, o H5N1, muito mais virulento", com porcentagem de mortalidade de quase 60%, explicou um responsável da OMS.

O novo vírus A (H1N1), que ainda não possui vacina, poderia sofrer mutação e se tornar muito mais perigoso, sobretudo se entrar em contato com o H5N1 aviário.

Chan lançou uma advertência na segunda-feira aos 193 Estados membros da OMS, que iniciaram em Genebra, na Suíça, sua assembleia geral anual de uma semana de duração.

"Pode ser que o vírus tenha nos dado uma folga, mas não sabemos por quanto tempo. Ninguém sabe se tratamos da calma antes da tormenta", previniu.

Brasil
O Brasil pressiona a OMS para que seja recolocada na agenda a negociação para um acordo de acesso a vacinas, vírus e materiais genéticos.

No entanto, o Brasil enfrenta a recusa de países ricos.

"Há uma tentativa de dar por encerrado o processo. Mas esse tema tem de voltar à mesa", disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Um dos argumentos utilizados pelos países ricos é de que faltaria dinheiro para custear as reuniões. "O Brasil ofereceu dar dinheiro para que esses encontros ocorressem", disse Temporão.

Entre os latino-americanos, o México é o único que se diz contra um acordo. O país, segundo o Brasil, adotou postura próxima à dos Estados Unidos depois que recebeu ampla ajuda para lidar com a gripe suína. Ban Ki Moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), também defendeu a proposta.

Richard Besser, diretor do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, se recusou a falar no assunto. "Só tenho a dizer que estamos oferecendo todas nossas informações aos países que necessitam delas."

* Com informações da AFP e da Agência Estado
UOL

sábado, 2 de maio de 2009

Sobe para 14 número de casos suspeitos de gripe suína no Brasil

da Agência Brasil

Atualizado às 15h48.

O número de casos suspeitos de gripe suína no Brasil dobrou de sexta-feira (1°) para sábado, passando de sete para 14, segundo balanço divulgado na tarde de hoje pelo Ministério da Saúde.

Seis casos são no Estado de São Paulo, quatro no Rio de Janeiro, três em Minas Gerais, e um no Espírito Santo. Segundo o ministério, 37 casos estão sendo monitorados em 15 Estados; 38 casos foram descartados por critérios clínicos e epidemiológicos ou laboratoriais.

Os sintomas que podem indicar casos suspeitos da doença são febre alta de maneira repentina e tosse, podendo estar acompanhadas de dores de cabeça, dores musculares e nas articulações e dificuldade respiratória.

Além disso, os sintomas devem ter aparecido até dez dias depois de o paciente ter estado em países que reportam casos da doença ou em contato com pessoas classificadas como casos suspeitos.

Até agora, a OMS (Organização Mundial da Saúde) confirmou 658 casos da doença em 16 países. No México, país com mais registros da gripe suína, já são 397 casos confirmados, com 16 mortes. Nos Estados Unidos, há 160 casos comprovados e uma morte de um bebê mexicano.